Emergência Social 144

São tantos os sinais… andamos de cabeça baixa, agarrados às nossa cruzes e esquecemos que existem cruzes mais difíceis que as nossas. Já tínhamos reparado numa jovem senhora, que nos últimos dias mantinha-se sentada no mesmo banco… passou despercebida um dia, pois estava bem composta, mas no segundo dia tinha a mesma roupa e estava no mesmo sítio… o que me chamou a atenção… tinha duas malas… tinha um ar triste… envergonhado.

Os sinais estavam lá… era uma nova moradora de rua… estava a dormir na rua. Aproximei-me, apresentei-me… perguntei se a podia ajudar. Olhou para mim e no momento que baixa os olhos nada mais precisa dizer. Já não a larguei… sentei-a na esplanada do vizinho e disse que para falarmos sobre as nossas cruzes, temos de ter o estômago composto. Comeu! Não importa qual o motivo pelo qual estava na rua, dormia na rua, escondida num cantinho para que a noite fosse segura. O importante era já não dormir mais nenhuma noite na rua. Não tinha nenhum apoio, não sabia como pedir apoio… tinha vergonha.

Peguei no telefone e liguei o número que todos nós devemos ter na nossa agenda, o número da  EMERGÊNCIA SOCIAL 144.

Ajudei, expliquei e recusei-me a que existisse um NÃO.
HOJE aquela jovem senhora vai dormir numa cama no centro temporário de acolhimento e amanhã já é encaminhada.
Um dia destes, aqui nas redes sociais, alguém criticava que era uma vergonha os sem abrigos que existiam na freguesia ou no pavilhão de Portugal e que ninguém fazia nada. Vergonha tenho eu dessas pessoas pobres de espírito. Ajuda-se, ajudando! Não cruzando braços à espera que outros resolvam. As entidades também precisam da nossa ajuda para que possam funcionar bem.
Não olhes para o teu umbigo, corres o risco de não veres o caminho.
Obrigada!

Susana Anacleto / Facebook